O poder do cheiro é inegável, como testifica a indústria milionária de perfumaria. Más é possível que os humanos sejam influenciados por produtos químicos transportados pelo ar não detectados como odores, chamados feromônios?
Embora vários animais e insetos usem feromônios para comunicarem entre si sobre coisas importantes como comida, território e sexo, a idéia de que os humanos podem ser influenciados similarmente gerou controversas entre cientistas. Mas agora, pesquisadores na Universidade de Chicago afirmam que eles têm a primeira prova de que os humanos produzem e reagem aos feromônios.
Em descobertas publicadas no jornal Nature, pesquisadores dizem que descobriram que a ovulação feminina pode ser regulada – pode ser prolongada ou diminuída – através do uso de feromônios.
"Os feromônios regulam o momento da ovulação. Existem dois feromônios – um que faz a ovulação se tornar mais provável e outro que á inibe e a torna menos provável," disse Martha McClintock da Universidade de Chicago.
Poderia haver importantes implicações praticas desta descoberta. Pelo fato de que os feromônios influenciam a liberação de ovos, pesquisadores dizem que eles podem providenciar uma forma mais natural de impedir a gravidez ou tratar a infertilidade.
Entretanto, pesquisadores dizem que mais estudos precisam ser feitos para descobrir se existem outros tipos de feromônios e se eles são tão potentes em humanos assim como eles são em outras espécies. Um grande mistério sobre os feromônios é se eles são ou não detectáveis pelo senso de cheiro ou olfato humano, como podem os humanos serem influenciados por eles?
A resposta, alguns pesquisadores acreditam que feromônios são detectados pelas mesmas células nervosas encontradas no nariz usadas para detectar odor ou talvez por outra estrutura no nariz chamado de órgão vomeronasal.
Feromônios - Participantes em sua vida sexual Sexualidade Saudável, WebMD National News Center
Você nunca ouviu falar sobre os feromônios? Bem, está na hora de aprender sobre a parte que eles atuam e agem em sua vida sexual, porque pode ser substancial. O conceito de um feromônio humano, ou aroma sexual da atração, tem sido debatido e pesquisado por já por muitos anos.
Na maioria dos animais, a relação entre feromônios e copular é bem direta e clara. Ouriços do mar, por exemplo, eles liberam feromônios para a água ao redor, enviando uma mensagem química que aciona outros ouriços do mar na colônia para liberarem suas células sexuais simultaneamente.
Feromônios humanos, por outro lado, são altamente individualizados, e nem sempre são notados. Em 1986 o Dr. Winifred Cutler, um biólogo e Endocrinologista de Comportamento, co-descobriu que quando qualquer suor predominante das axilas é removido, o que resta são materiais sem odor contendo os feromônios.
Os estudos originais do Dr. Cutler nos anos 70 mostraram que as mulheres que tinham relação sexual regularmente com homens, têm ciclos menstruais mais regulares do que mulheres que fazem sexo esporadicamente. O sexo regular atrasa o declínio de estrogênios deixando as mulheres mais férteis. Isso levou o time de pesquisa a procurar o que o homem estava providenciando na equação. Em 1986 eles descobriram que era feromônios.
Sincronização menstrual
Tem mais sobre o assunto de como feromônios afetam o ciclo menstrual das mulheres. Pense no passado, quando você estava fazendo faculdade, ou enquanto crescia com suas irmãs. A maioria das mulheres que vivem com ou perto de outras mulheres ajustam o tempo do seu ciclo menstrual entre si. Um estudo recente na Universidade de Chicago pela Martha McClintock expôs um grupo de mulheres a uma baforada de perspiração de outras mulheres. Isso causou os ciclos menstruais delas a avançarem ou ficarem mais lentos dependendo do tempo do mês que o suor foi coletado – antes, durante ou após a ovulação. Esta foi a primeira prova de que as pessoas produzem e respondem aos feromônios.
Implicações para fertilidade e depressão
Apesar da abertura em nosso conhecimento, estes estudos notáveis sobre os feromônios e ciclos menstruais trouxe a luz a idéia de que feromônios podem ser usados como tratamento de fertilidade para casais que desejam conceber, ou como um anticonceptivo para aqueles que não querem. E casais que estão tendo problemas sexuais podem usar feromônios juntamente com terapias tradicionais para realçar o desejo. É também possível, dizem alguns pesquisadores, que os feromônios podem ser um estimulante de humor e disposição, aliviando a depressão e o estresse. E a maior hipótese até agora é de que o tratamento de feromônios pode controlar a atividade da próstata em homens para reduzir o risco do câncer.
Sutil, mais uma forte influência
Se você está à procura do homem dos seus sonhos, feromônios não suspeitados no aroma do seu corpo estão provavelmente atuando um grande e inteligente papel na atração do sexo oposto. De acordo com um artigo no "Psychology Today," como os cheiros do nosso corpo são percebidos e aceitos como agradáveis e sexy para outra pessoa, esse é um processo bem seletivo. Nós geralmente temos um cheiro bom para uma pessoa cuja imunidade genética para doenças é diferente das nossas. Isso pode te beneficiar ao longo dos anos, na formação de crianças mais fortes e mais saudáveis.
74% das pessoas que testaram um feromônios comercial chamado de Athena, desenvolvido pelo Dr. Cutler, experimentaram um aumento de abraços, beijos e relações sexuais. Talvez o melhor conselho para aqueles que estão procurando um parceiro ou procurando levar o seu relacionamento a um outro nível é de dar uma boa cheirada!
Lésbica reage como homem a feromônios femininos da Folha de S.Paulo
Lésbicas são mais versáteis que homossexuais masculinos quando se trata de reconhecer o cheiros de parceiros --ou melhor, com os supostos feromônios presentes neles, os hormônios da atração sexual que existem nos animais mas cuja importância para o ser humano ainda é debatida.
A mesma equipe da Suécia que divulgou no ano passado que o suor masculino excita o cérebro dos homens homossexuais do mesmo modo que o de mulheres heterossexuais anuncia agora que lésbicas também ficam excitadas com ele --mas também com a urina de mulheres.
Mais especificamente, foram testadas substâncias candidatas a feromônio. Uma deriva do hormônio sexual masculino testosterona e é conhecida pela sigla AND e a outra, a EST, está relacionada ao feminino estrógeno.
O possível feromônio EST é mais fácil de localizar na urina de mulheres, assim como seu colega AND é mais facilmente detectável no suor masculino.
Os autores do estudo são os mesmos da pesquisa do ano passado, Ivanka Savic, Hans Berglund e Per Lindström, do Instituto e da Universidade Karolinska, de Estocolmo. O novo artigo também foi publicado na revista da academia de ciências dos EUA, a PNAS.
A descoberta básica do trio é que uma região do cérebro, o hipotálamo, fica ativa --acendendo luzinhas em imagens do órgão-- quando homens cheiram o EST e mulheres cheiram o AND.
Foram examinados os cérebros de doze mulheres lésbicas, surpreendendo os cientistas com sua excitação pelas duas substâncias.
"Em contraste com as mulheres heterossexuais, as mulheres lésbicas processaram os estímulos de AND pelas redes olfativas e não pelo hipotálamo anterior. Mais ainda, ao cheirar EST, elas parcialmente compartilharam a ativação do hipotálamo anterior com homens heterossexuais", escrevem os autores no artigo.
Estudos de DNA indicaram que seres humanos têm genes semelhantes aos que foram ligados a feromônios em animais, mas há dúvida sobre sua funcionalidade.
A identificação dos feromônios pelo organismo se dá principalmente em um órgão chamado vomeronasal, situado na cavidade nasal mas distinto do sistema olfatório principal. Mas há dados que mostram que tanto o órgão olfatório como o vomeronasal podem detectar feromônios.
O órgão vomeronasal concentra os "receptores" para feromônios, produzidos por genes como os da família V1R.
Um estudo por cientistas dos EUA e China identificou 187 genes V1R funcionais no camundongo, 102 no rato, 49 no gambá, 32 na vaca, 8 no cachorro --e apenas quatro no ser humano.
Para a maioria dos pesquisadores, a comunicação visual substituiu a comunicação por feromônio quando se trata da atração sexual humana. O novo estudo indica que existiria ainda um papel para o sistema olfatório na atração sexual, e que a homossexualidade poderia ter alguma base biológica.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14600.shtml



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